ANTIGO TESTAMENTOJó 311“Eu jurei a mim mesmo que os meus olhos nunca olhariam com desejo para uma jovem.2O que uma pessoa espera receber de Deus? Que recompensa o Todo-Poderoso lá do alto deveria conceder?3Acaso não é a calamidade o que espera os ímpios, e a destruição o destino dos que praticam o mal?4Será que Deus não vê tudo o que faço, e não conta cada passo que dou?5Será que minha vida foi de falsidade? Será que tinha prazer em enganar com mentiras?6Não! Que Deus me pese na balança da justiça, e verá que sou íntegro!7Se me desviei do caminho de Deus, se desejei aquilo que meus olhos viram, se há qualquer mancha de pecado em minhas mãos,8então que outro coma o que eu semeei, e que tudo o que plantei seja arrancado pela raiz.9Se fui seduzido por alguma mulher, ou se busquei uma oportunidade para me deitar com a esposa do meu próximo,10então que minha mulher se torne serva de outro homem, e que outros se deitem com ela.11Pois isso seria iniquidade, um pecado que merece castigo,12é como o fogo que conduz à destruição, e que arruina tudo o que possuo.13Se recusei ouvir meus servos ou minhas servas quando me apresentaram suas queixas,14o que eu faria quando Deus viesse me julgar? Como responderia quando fosse chamado a prestar contas?15Acaso não foi o mesmo Deus que nos criou a todos, a mim e a eles?16Será que neguei ajudar os pobres em suas necessidades, ou deixei de amparar as viúvas, fazendo-as cair em desespero?17Acaso comi alguma vez, mesmo um pedaço pão sozinho, sem repartir com os órfãos?18Desde a juventude fui como um pai para os órfãos e cuidei das viúvas.19Sempre que via alguém em necessidade de roupas, ou o pobre sem nada com que se cobrir,20acaso não me abençoavam por lhes prover a lã que os aquecia?21Se levantei a mão contra um órfão, confiante de que no tribunal os juízes decidiriam em meu favor,22então que meu ombro se desprenda da articulação, e meu braço seja arrancado da junta.23Pois sempre temi o castigo que Deus poderia reservar para mim, e, diante da sua majestade, jamais faria tal coisa.24Por acaso pus minha confiança no ouro, ou disse ao ouro puro: ‘Você é a minha garantia’?25Ou me alegrava por ser rico, feliz por tudo o que havia conquistado?26Será que contemplei o sol em todo o seu brilho, ou a lua seguindo majestosa pelo céu,27e, em segredo, fui tentado a adorá-los, beijando a mão em sinal de devoção?28Isso também seria pecado digno de castigo, pois teria negado o Deus que está nas alturas.29Acaso me alegrei quando a desgraça caiu sobre os que me odiavam, ou comemorei quando o mal os atingiu?30Nunca deixei minha boca pecar amaldiçoando alguém e desejando sua morte.31Será que minha família nunca perguntou: ‘Haveria alguém que não comeu até se fartar da comida dele’?32Nunca deixei o estrangeiro dormir na rua; minha porta sempre esteve aberta ao viajante.33Será que encobri meus pecados dos outros, escondendo minhas transgressões no meu coração?34Tive medo do que os outros pensariam, ou temi o desprezo das famílias a ponto de me calar e não sair de casa?35Ah, se houvesse alguém que ouvisse as minhas palavras! Aqui está: com minha assinatura endosso esta declaração. Que o Todo-Poderoso me responda! Que meu acusador escreva sua denúncia contra mim.36Eu a ergueria bem ao alto, e a usaria como coroa.37Daria satisfação a Deus sobre todos os meus passos, e me apresentaria diante dele com a cabeça erguida.38Se minha terra tem se queixado de mim, e seus sulcos choraram por minha causa,39se colhi suas colheitas sem pagar, ou prejudiquei os que nela trabalhavam,40então que nela cresçam espinhos em vez de trigo, e ervas daninhas em vez de cevada.” Aqui terminam as palavras de Jó.