ANTIGO TESTAMENTOJó 61Mas Jó respondeu, dizendo:2Oh se pesassem justamente minha aflição, e meu tormento juntamente fosse posto em uma balança!3Pois na verdade seria mais pesada que a areia dos mares; por isso minhas palavras têm sido impulsivas.4Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo veneno meu espírito bebe; e temores de Deus me atacam.5Por acaso o asno selvagem zurra junto à erva, ou o boi berra junto a seu pasto?6Por acaso se come o insípido sem sal? Ou há gosto na clara do ovo?7Minha alma se recusa tocar essas coisas ,que são para mim como comida detestável.8Ah se meu pedido fosse realizado, e se Deus me desse o que espero!9Que Deus me destruísse; ele soltasse sua mão, e acabasse comigo!10Isto ainda seria meu consolo, um alívio em meio ao tormento que não me poupa; pois eu não tenho escondido as palavras do Santo.11Qual é minha força para que eu espere? E qual meu fim, para que eu prolongue minha vida?12É, por acaso, a minha força a força de pedras? Minha carne é de bronze?13Tenho eu como ajudar a mim mesmo, se todo auxílio me foi tirado?14Ao aflito, seus amigos deviam ser misericordiosos, mesmo se ele tivesse abandonado o temor ao Todo-Poderoso.15Meus irmãos foram traiçoeiros comigo, como ribeiro, como correntes de águas que transbordam,16Que estão escurecidas pelo gelo, e nelas se esconde a neve;17Que no tempo do calor se secam e, ao se aquecerem, desaparecem de seu lugar;18Os cursos de seus caminhos se desviam; vão se minguando, e perecem.19As caravanas de Temã as veem; os viajantes de Sabá esperam por elas.20Foram envergonhados por aquilo em que confiavam; e ao chegarem ali, ficaram desapontados.21Agora, vós vos tornastes semelhantes a elas; pois vistes o terror, e temestes.22Por acaso eu disse: Trazei-me algo ? Ou: Dai presente a mim de vossa riqueza?23Ou: Livrai-me da mão do opressor? Ou: Resgatai-me das mãos dos violentos?24Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.25Como são fortes as palavras de boa razão! Mas o que vossa repreensão reprova?26Pretendeis repreender palavras, sendo que os argumentos do desesperado são como o vento?27De fato vós lançaríeis sortes sobre o órfão, e venderíeis vosso amigo.28Agora, pois, disponde-vos a olhar para mim; e vede se eu minto diante de vós.29Mudai de opinião, pois, e não haja perversidade; mudai de opinião, pois minha justiça continua.30Há perversidade em minha língua? Não poderia meu paladar discernir as coisas más?